quinta-feira, 15 de novembro de 2012

De cada 100 L de água, 36 L se perdem até chegar na sua casa.


De cada 100 litros de água coletados, apenas 64 chegam sãos e salvos na casa do brasileiro, em média. O restante fica pelo caminho. Um desperdício imperdoável para um recurso tão precioso e cada vez mais escasso. O alerta, vem do Instituto Trata Brasil, que periodicamente divulga relatórios sobre a situação do saneamento e do acesso à água nos estados brasileiros.
Segundo Edison Carlos, presidente da Ong, a perda de água no sistema nacional é em média de 36%, mas em algumas regiões chega a 60%, caso do Ceará. O que justifica taxas tão elevadas? Quem atua no setor tem a resposta na ponta da língua: faltam políticas eficientes e claras de gestão de recursos hídricos e de esgoto no país.
Atualmente, o atendimento em coleta de esgotos chega a apenas a 46,2% da população brasileira, enquanto a distribuição de água atinge 81,1% em áreas urbanas e rurais, a uns bons passos de distância da universalização, segundo dados da Trata.
Para o executivo franco-brasileiro Yves Besse, presidente da CAB Ambiental, empresa do grupo Galvão que opera concessões e parcerias público-privadas (PPP”s) em água e esgoto, o problema reside na ineficiência das empresas que prestam esses serviços. “Falta vontade política e um gestão otimizada”, disse.
Dilma Pena, presidente da Sabesp, discorda. “Os prestadores de serviços precisam de orientações claras e objetivas do poder público, mas elas não existem”, rebate. Para serem realmente eficientes, segundo a executiva, as empresas precisam ter condição de planejar suas ações de maneira alinhada com os objetivos do estado e suportar, ao longo do tempo, esse objetivo. “O problema do saneamento no Brasil não se resolverá em 10 anos, e pode demorar muito mais se não tivermos orientações nacionais firmes e principalmente exequíveis”.
Vicente Andreu, presidente da Agência Nacional de Águas, diz que os recursos financeiros para solucionar os problemas de água e esgoto existem. “O que falta é foco, senso de prioridade do tema”, afirmou. Segundo Anderu, mais da metade dos municípios brasileiros pode ter problemas com o abastecimento de água ou dificuldade para receber água de boa qualidade nos próximos anos. Já passou da hora de acertar o foco.

sábado, 10 de novembro de 2012

MENSAGEM PARA UMA REFLEXÃO PROFUNDA

Mensagem para nossa reflexão diária. Para onde estamos indo? O que queremos para o futuro? O que nós vamos deixar nesse planeta?

sábado, 13 de outubro de 2012

Espaço ocupado na mídia por céticos climáticos gera debate.

Escolha de entrevistados polêmicos na cobertura da imprensa brasileira sobre o aquecimento global pode enfraquecer a pressão social para que autoridades estabeleçam ações de adaptação e mitigação.
A desconfiança dos brasileiros com relação ao aquecimento global está aparentemente maior do que nunca, com especialistas contrários ao fenômeno assumindo status de verdadeiras celebridades nacionais. Pesquisadores climáticos, contudo, divergem sobre qual deve ser a resposta da comunidade científica e alguns defendem que o ideal é ignorar os céticos.
Uma dessas novas personalidades entre os céticos é o professor Ricardo Augusto Felício, do Departamento de Geografia da USP, que ganhou notoriedade ao aparecer no programa de Jô Soares afirmando que atribuir problemas climáticos à presença do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera seria ridículo. O vídeo do programa no Youtube já ultrapassou mais de 700 mil visualizações.
Outro nome forte entre os céticos brasileiros é o do professor Luiz Carlos Baldicero Molion, da Universidade Federal de Alagoas. Há anos Molion contesta estudos sobre as mudanças climáticas, sendo que recentemente foi entrevistado pela Folha de São Paulo e também foi a fonte mais citada na série “Aquecimento global, uma dúvida conveniente” do Jornal da Band.
“A comunidade científica é um meio democrático. Mas quem escolhe o espaço para essa ou aquela fonte é a imprensa, que muitas vezes opta por ser sensacionalista”, destacou Reynaldo Luiz Victoria, da Coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, durante o evento Gestão dos Riscos dos Extremos Climáticos e Desastres na América Central e na América do Sul.
O crescimento do espaço dos céticos não parece preocupar os cientistas ligados ao Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). José Marengo, pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do INPE, por exemplo, não enxerga os céticos como ameaça e prefere ignorá-los.
“Não temos porque retrucar, seria apagar fogo com gasolina. Não precisamos dar mais dez minutos de fama para essas pessoas. Se a imprensa quisesse, poderia nos procurar para confirmar as informações que conseguiram. Mas isso nunca acontece”, declarou Marengo.
Para o ambientalista Fábio Feldman, essa postura de não enfrentamento é ruim para o desenvolvimento de políticas públicas para as mudanças climáticas.
“Toda a vez que uma dessas pessoas aparece na mídia, mais cidadãos deixam de participar de movimentos que pressionam o governo para agir. A desinformação deixa as pessoas confusas”, explica.
Sobre o professor Ricardo Augusto Felício, Feldman destaca que a USP deveria ter vindo a público. “Ao não se manifestar, o Departamento de Geografia está praticamente assumindo como corretas as informações de Felício. O que, até onde eu sei, não é verdade.”
Vicente Barros, do Centro de Investigação do Mar e da Atmosfera da Universidade de Buenos Aires, destaca que existem fundamentos sólidos nas ciências climáticas.
“O IPCC analisa dezenas de milhares de estudos científicos para formular seus relatórios. É um trabalho sério, que apesar de já ter apresentado erros no passado, jamais poderia ser considerado uma ‘fraude’. Quem insiste nesse tipo de conspiração é desinformado ou mal intencionado”, declara.
Para Barros, o número de céticos vem caindo no mundo. “Cada nova pesquisa diminui as margens para dúvidas. Um dos últimos estandartes do ceticismo, a Universidade de Berkeley, acaba de mudar sua postura. Apesar dos cidadãos de alguns países serem mais resistentes que outros à ideia das mudanças climáticas, todos os Estados-membros das Nações Unidas estão ao lado do IPCC.”
Ana Deysi Lopez, do Ministério de Meio Ambiente de El Salvador, resumiu como seu país deixou de ter céticos. “A realidade nos golpeou. As perdas, econômicas e de vidas, causadas por fenômenos climáticos extremos aumentaram muito nos últimos anos. Diante dos números, não há mais dúvidas de que o governo precisa agir.”
Fabiano Ávila   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil

sábado, 22 de setembro de 2012

‘Rios voadores’ da Amazônia transportam água para o Brasil.


Enquanto a seca causa estragos no mundo e cresce a inquietação com colheitas e reservas hídricas, o piloto e aventureiro anglo-suíço naturalizado brasileiro Gérard Moss mostra os “rios voadores” da Amazônia, cursos d’água atmosféricos que têm origem na floresta e alimentam as chuvas no Brasil e na América do Sul.
“As mudanças climáticas estão cobrando seu preço, os Estados Unidos vivem a pior seca em meio século, a Rússia sofre com a seca, na Índia há anos as monções não são regulares, e no Brasil parece que somos menos afetados porque temos a maior floresta tropical do mundo, que ajuda a regular o clima”, explica Moss, enquanto pilota seu monomotor com destino a Goiânia.
Durante o voo, Moss observa um indicador que mede a umidade do ar sobre o cerrado. Ele usa o medidor para localizar os “rios voadores”, nome dado às massas de vapor d’água que a Amazônia lança na atmosfera. “Pouca gente sabe que na Amazônia uma única árvore pode colocar na atmosfera mais de 1 mil l d’água em um dia, e que a selva amazônica consegue colocar mais água na atmosfera em um dia do que a transportada pelo rio mais caudaloso do mundo, o Amazonas”, explica.
Em expedições em avião e balão, Moss leva cinco anos demonstrando que a floresta amazônica não só limpa o ar do planeta, como garante umidade e chuvas para o Brasil e parte da América do Sul, uma região enorme produtora e exportadora de alimentos.
Os rios voadores, conta, partem da Amazônia até os Andes, que agem como barreira natural, e redirecionam as gigantescas massas de vapor principalmente rumo ao centro-oeste, o sudeste e o sul do Brasil, mas também para o norte de Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia, e ainda para Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. “O Peru recebe um pouco desta água, mas se não houvesse a cordilheira, certamente receberia tudo”, explica Moss.
Nascido na Inglaterra e criado na Suíça, entre Montreux e Vevey, o apaixonado piloto de 57 anos chegou ao Brasil nos anos 1980 para trabalhar na exportação de soja, e uma década depois mudou radicalmente de trabalho para se dedicar ao meio ambiente, ao lado da esposa Margi Moss, fotógrafa nascida no Quênia.
Ele ganhou fama em 2001, quando fez a primeira volta ao mundo em planador motorizado, uma aventura que durou 100 dias, durante os quais fazia transmissões ao vivo, todos os domingos, para a televisão brasileira. Em 2003, o casal embarcou em um pequeno hidroavião com o qual coletou durante um ano mais de mil amostras dos rios e lagos mais remotos do país, que possui 12% das reservas de água doce do planeta.
“Constatamos que 85% das águas são limpas, o que demonstra que o Brasil tem uma grande riqueza, mas também que nas regiões habitadas a qualidade é péssima, não se investe para preservar esta riqueza”, lamenta Moss.
De Belém a São Paulo sobre um rio voador – A aventura aérea e ambiental prosseguiu em 2006, com o projeto Rios Voadores, no qual embarcaram importantes cientistas que já tinham advertido para o fenômeno e agora utilizam os dados para confirmá-lo. Eles criaram equipamentos adaptados ao monomotor e a um balão aeroestático, com o qual Moss percorreu o país para condensar e analisar gotas do vapor atmosférico originadas na Amazônia.
O piloto chegou a viajar oito dias na trajetória de um rio voador, da cidde amazônica de Belém ao Pantanal (centro-oeste) e a São Paulo (sudeste). “Era uma massa enorme de vapor d’água, equivalente ao que São Paulo consome em 115 dias, foi muito bom para divulgar os nossos resultados”, explica.
Com estes estudos, o respeitado Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) traça diariamente trajetórias das correntes de umidade amazônica por todo o Brasil, enquanto o projeto se concentra agora em divulgar os resultados para alcançar seu objetivo: ajudar a salvar a Amazônia. “Nosso objetivo é que uma criança em São Paulo ou um produtor do sul saibam que sua agricultura e sua energia dependem muito da água que chega da Amazônia”, diz Moss.
Os cientistas calculam que quase 20% da Amazônia já tenha sido destruída e alguns indicam que se a destruição chegar a 35% ou 40%, atingirá um ponto sem volta frente ao avanço do cerrado. O Brasil alcançou um pico de desmatamento em 2004, com 27 mil km². Conseguiu reverter a tendência a mínimos históricos, mas ainda perde 6,4 mil km² de selva amazônica por ano. (Fonte: Portal Terra).

domingo, 2 de setembro de 2012

Derretimento de geleira na Itália revela munição da 1ª Guerra Mundial.


Quase 200 objetos foram encontrados em montanha de Trentino, na Itália.
Munição teria sido usada em batalhas entre 1915 e 1918. Mais de 200 peças de munição usadas na 1ª Guerra Mundial surgiram depois do derretimento de geleira no pico de uma montanha em Trentino, na Itália. Cada peça encontrada pesa entre 7 e 10 kg.
Os artefatos de guerra foram descobertos a uma altitude de 3.200 metros quando a geleira Ago de Nardis foi parcialmente derretida devido a uma recente onda de calor que atingiu em picos mais altos da Itália. A unidade de polícia dos Alpes viu pontos de metal emergirem do gelo espalhados em uma área de 100 metros quadrados. As fotos foram feitas na última sexta-feira (31)
Especialistas estiveram no local e disseram que as munições não foram descartadas, mas utilizadas durante a série de batalhas entre os exércitos do Império Austro-Húngaro e Itália entre 1915 e 1918.

domingo, 26 de agosto de 2012

ÁGUA


A revisora de pesquisas da mais importante revista inglesa de medicina e uma das mais respeitadas no mundo, a British Medical Journal, avaliou centenas de estudos sobre as bebidas para esportistas e concluiu que, além de não ter benefício algum, elas podem até prejudicar a saúde. Há décadas, maratonistas eram orientados a se hidratar com moderação, pois o peso extra de líquidos os tornaria mais lentos. Hoje, o conceito médico é de orientar a hiperidratação até antes de se iniciarem os exercícios. Por que isso mudou? Uma das conclusões do estudo é que a indústria dessas bebidas patrocinou pesquisas de baixa qualidade e associações médicas ligadas aos esportes, para que se criasse um falso conceito de que todo mal-estar provocado pelo esforço físico prolongado ocorre única e exclusivamente por desidratação, principalmente o fenômeno da hipertermia de que sofrem alguns atletas maratonistas.
A primeira medida foi minar o conceito de que o nosso corpo sabe quando precisamos de água e sal. Esse equilíbrio em nosso corpo é o mais primitivo e mais perfeito que existe. Desde que o primeiro organismo vivo existe ele precisou criar um mecanismo de equilíbrio entre o conteúdo intracelular e o ambiente extracelular. Isso se chama homeostase. Os organismos multicelulares precisaram criar um sistema que simulasse esse ambiente marítimo entre suas células, por isso a ­quantidade de sal que temos no sangue é próxima à da água do mar e é extremamente estável: qualquer mudança intensa ou brusca para cima ou para baixo no teor de sal do nosso sangue terá consequências catastróficas.
O estudo da BMJ descobriu que com a criação da maratona de Nova York houve um boom de atletas em todo o mundo e a indústria descobriu um novo nicho de negócios, suplementos e bebidas para ­esporte. Nos anos 60, a primeira bebida com sódio, potássio e açúcar foi desenvolvida especificamente para corredores por um nefrologista da Universidade da Flórida. Torcedor do time de futebol americano Gators, o doutor Robert Cade deu um toque de limão no drink e o nomeou Gatorade. Hoje, a indústria de bebidas esportivas fatura 1,6 bilhão de dólares e é dominada pela mesma que produz os refrigerantes, hoje condenados como causa da obesidade infantil e juvenil.
De acordo com os revisores dos estudos, tudo começou em 2005, quando o imbatível time de críquete da Austrália perdeu para a Inglaterra e o pesquisador de um estudo patrocinado pela Gatorade que estava em andamento com jogadores declarou à imprensa que 50% dos atletas terminaram a partida desidratados e por isso teriam perdido o jogo. A partir daí, uma enxurrada de estudos apareceu culpando a desidratação por quase tudo.
O grupo de revisores da BMJ avaliou todos os estudos enviados pelas empresas que produzem essas bebidas. Foram 106 trabalhos os analisados e 76 deles apresentavam graves falhas nas conclusões dos resultados. A dra. Cohen alerta que a grande maioria das orientações médicas feitas por entidades como a Associação Americana de Treinadores de Atletas e o Comitê Olímpico de Nutrição em Esportes é patrocinada pelas indústrias desses produtos. Além dos atletas, crianças e sedentários também recebem um bombardeio de informações errôneas divulgadas pela mídia leiga e especializada, de que essas soluções isotônicas são melhores que a água, e que não se pode confiar no mais primordial sentido de preservação, a sede.
Para os autores, tem ocorrido a criação de uma doença com fins mercantilistas. O uso abusivo de líquidos durante os exercícios também é perigoso, pois dilui o sal do corpo e provoca a hiponatremia, que pode levar a vômitos, dor de cabeça, cãibras e convulsões. Além do potássio e do sódio, as soluções são ricas em carboidratos e aumentam o risco de obesidade, e a falsa impressão de que essas bebidas são “fisiológicas” estimula seu consumo entre as crianças. Os autores da revisão chamam a atenção para a doença criada pela indústria de bebidas, que promove a hiperidratação. E recomendam: os atletas devem confiar não na propaganda, mas na sede.

domingo, 19 de agosto de 2012

Presidenta Dilma vetou 12 artigos no Código Florestal e fez 32 alterações por MP.


A presidente Dilma Rousseff vetou parcialmente o novo Código Florestal (PL 1876/99) aprovado pela Câmara dos Deputados e determinou 32 mudanças em trechos que, em linhas gerais, buscam anular a anistia a desmatadores, beneficiar o pequeno produtor e favorecer a preservação ambiental. Os vetos ainda serão analisados pelo Congresso, que pode derrubá-los.
Entre as alterações, 14 recuperam o texto do Senado, cinco são dispositivos novos e 13 são ajustes ou adequações de conteúdo, conforme informou o chefe da Advocacia-Geral da União, ministro Luis Inácio Adams.
O prazo para sanção presidencial do texto, que trata da preservação ambiental em propriedades rurais, vencia nesta sexta. Para suprir os vácuos jurídicos deixados com os vetos, o governo vai publicar uma medida provisória na segunda-feira (28) no Diário Oficial da União  juntamente com o Código Florestal.
Sem anistia a desmatadores
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o veto parcial foi feito para impedir a redução da proteção ambiental, para promover a restauração ambiental e para que todos pudessem fazer isso, sem anistia e sem regras flexibilizadas. A ministra argumentou que alguns pontos eram inconstitucionais ou ofereciam insegurança jurídica.
"Não vai ter anistia para ninguém, todos devem recompor áreas desmatadas, mas isso seguirá o tamanho das propriedades", reforçou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas.
A ministra ressaltou que o governo resgatou pontos do Código Florestal aprovados no Senado, mas derrubados na Câmara. Um deles diz respeito ao o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que é um registro eletrônico no qual são reunidas todas as informações ambientais das propriedades rurais.
Izabella Teixeira informou que o agricultor terá de fazer o cadastro para obter financiamentos do governo. "Só vai ter acesso a crédito quem fizer o CAR e PRA [Programa de Regularização Ambiental] no prazo de cinco anos. Quem não fizer não terá acesso a crédito público."
A ministra também afirmou que não vai haver anistia aos desmatadores. De acordo com a ministra, quando o proprietário que tiver uma área a recompor se inscrever no Cadastro Ambiental Rural, a multa vai ser suspensa. Depois, ela só vai ser convertida quando for comprovada a restauração das matas.
Escalonamento da preservação
A medida provisória que será publicada escalona as áreas a serem reflorestadas de acordo com os tamanhos dos rios e das propriedades.
Uma das principais mudanças do governo no novo Código Florestal foi a ampliação da faixa que deverá ser reflorestada nas margens de rios em áreas de proteção ambiental (APPs). Os produtores rurais terão que recompor entre 5 e 100 metros de vegetação nativa das APPs nas margens dos rios, dependendo do tamanho da propriedade e da largura dos rios que cortam os imóveis rurais.
Veja a apresentação sobre os vetos e alterações no Código Florestal.
As novas regras vão substituir o Artigo 61 do código aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de abril. O texto só exigia a recuperação da vegetação de APPs ao longo de rios com, no máximo, 10 metros de largura. Ele não previa nenhuma obrigatoriedade de recuperação dessas áreas nas margens dos rios mais largos.
“Fizemos [a mudança] considerando o tamanho da propriedade, a largura de rio, o impacto da regularização no tamanho da propriedade; consideramos os fatores social e ambiental”, explicou a ministra Izabella Teixeira.
Para imóveis rurais com até 1 módulo fiscal (unidade de área que varia de 5 a 110 hectares, acordo com a região do País), o proprietário terá que recompor na APP uma faixa de 5 metros de largura a partir da calha do rio, independentemente do tamanho do curso d'água. Se houver outras APPs na propriedade, a área preservada não poderá ultrapassar 10% da área total do imóvel.
Nas propriedades entre 1 e 2 módulos fiscais, a faixa a ser reflorestada deverá ter 8 metros, qualquer que seja a largura do rio. Nos imóveis rurais entre 2 e 4 módulos fiscais, os proprietários terão que recuperar 15 metros. No caso de imóveis entre 4 e 10 módulos rurais, a largura da recomposição da mata nativa será 20 metros nas APPs ao longo de rios de até 10 metros de largura, e 30 metros a 100 metros nas margens de rios mais largos.
Grandes proprietários
Os grandes proprietários de terras, com imóveis com mais de 10 módulos fiscais, serão obrigados a recompor, no mínimo, faixas de 30 metros de largura nas APPs ao longo de pequenos cursos d'água (com 10 metros de largura) e entre 30 metros e 100 metros nas margens de rios maiores, com mais de 10 metros de largura.
A criação de escalas de recomposição, segundo o governo, vai garantir a maior preservação das margens de rios e beneficiar os pequenos agricultores. Segundo Pepe Vargas, os principais beneficiados serão os agricultores familiares. “Quem tem menos área de terra vai recompor menos e quem tem mais vai recompor mais APP. Estamos aqui estabelecendo um principio de justiça, preservando aqueles que produzem alimentos saudáveis, preservando o meio ambiente”
Segundo levantamento do governo, 65% dos imóveis rurais têm até um módulo fiscal e correspondem a 52 milhões de hectares e a 9% da área agrícola do País. Já as propriedades com até 4 módulos fiscais, designadas como de agricultura familiar, representam cerca de 90% dos imóveis rurais e 24% da área agrícola.
Para o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, as mudanças vão garantir a capacidade de produção e a segurança jurídica ao setor rural. "Esse não é o código dos ambientalistas, e não é o código dos ruralistas. Esse é o código daqueles que têm bom senso, daqueles que acreditam que o Brasil pode produzir com todo o respeito ao meio ambiente."
Bancada ruralista
O deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), da bancada ruralista, afirmou que concorda com alguns pontos, como a definição das distâncias para margens de rios em pequenas propriedades: “É o que queríamos para as áreas consolidadas.”
Ele informou que na segunda-feira (28) à tarde a bancada ruralista pretende se reunir para avaliar o texto completo dos vetos.
Ambientalistas
Já o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) ainda vai analisar de forma mais aprofundada os vetos, mas disse considerá-los positivos: “Foi aprovada na Câmara uma versão aberrante, com um exagero de agressões ao meio ambiente.”