O Brasil se tornou um dos países mais preparados no combate
aos avanços e impactos do aquecimento global. O relatório do Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês)
divulgado em Yokohama, no Japão, revelou que todas as nações estão sujeitas aos
efeitos do possível aumento da temperatura global. As medidas e políticas
adotadas ao longo dos anos em território nacional, no entanto, colocam o Brasil
em papel de destaque diante da comunidade internacional.
A queda nas emissões de gases de efeito estufa (GEE)
demonstra essa liderança. Sozinho, o Brasil reduziu, em 2010, o dobro dos
índices verificados por todos os países desenvolvidos, agrupados no Anexo 1 do
Protocolo de Kyoto, acordo internacional que estabelece metas de corte na liberação
de gases na atmosfera. Além disso, a redução de GEE gerada pelo controle do
desmatamento em apenas um ano equivale às emissões totais anuais de locais como
a Espanha e o Reino Unido.
Batizado de Sumário para os Formuladores de Políticas, o
relatório do IPCC enfatiza que as mudanças climáticas poderão afetar e trazer
prejuízos para o mundo todo. A pesquisa feita por representantes de diversas
nacionalidades, inclusive brasileiros, atenta para os impactos tanto ambientais
quanto humanos. “É um questão global que tem de ser tratada seriamente pelas
Nações Unidas”, salienta o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade
Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Carlos Klink. “Mesmo os países
que estão bastante preparados vão sofrer as consequências”.
Adaptação - O relatório do IPCC destaca, entre outros
aspectos, medidas de adaptação como os acordos de cooperação e as ações
voltadas para a agropecuária desenvolvidas na América do Sul. No Brasil, as
iniciativas incluem investimentos como os do Fundo Amazônia e do Fundo Clima e
a adoção de nove planos setoriais de mitigação e adaptação em setores variados,
entre eles indústria, transportes e controle de desmatamento na Amazônia e no
Cerrado.
Além disso, deve ser concluído, até o fim do ano, o Plano
Nacional de Adaptação, compilado de ações em 10 áreas. Saúde pública e
prevenção de desastres naturais são alguns dos temas que integrarão o plano e
já se encontram em execução. “Está sendo feito um mapeamento de vulnerabilidade
e de quais as metodologias, os custos e projeções econômicas para essas
questões”, explica Klink.
A participação popular será fundamental no processo. Depois
de submetida e aprovada pelo Grupo Executivo (GEx) do Comitê Interministerial
sobre Mudança do Clima (CIM), a primeira versão do Plano Nacional de Adaptação
passará por consulta pública. “Ao trabalhar a adaptação, é preciso considerar a
vulnerabilidade econômica e social e a resiliência, um conceito novo para o
público”, observa o secretário.
Saiba mais – Apesar de ser considerado um fenômeno natural,
o efeito estufa tem sofrido alterações que se tornaram as causadoras do
aquecimento global. As mudanças decorrem do aumento descontrolado das emissões
de gases de efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono e o metano. A liberação
dessas substâncias na atmosfera ocorre por conta de diversas atividades humanas
e econômicas, entre elas o transporte, o desmatamento, a agricultura e a
pecuária. (Fonte: MMA)
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